Maquiavel passou pela praça hoje e, conversando sobre o recente movimento contra a corrupção, me disse algo interessante:
Onde o desregramento é universal, não há leis nem instituições que o possam reprimir.
Comentei com ele que, então, para começarmos bem um movimento contra a corrupção grande dos outros, poderíamos passar a nos abster de pequenas corrupções nossas. Por exemplo, não atravessar o sinal vermelho, nem tentar subornar o guarda que nos vai multar por isso. Ou não estacionar indevidamente nas vagas reservadas para deficientes ou idosos. Ou mesmo não comemorar um pênalti roubado para nosso time.
Sentado em um banco próximo, Montesquieu palpitou:
a virtude política é uma renúncia a si mesmo, sempre penosa.
Estamos dispostos a renunciar ao uso de corrupção para atingir nossos objetivos? Se alguém é corrupto, alguém é o corruptor. Estamos dispostos na não corromper alguém que vai nos punir por uma falta ou que vai cumprir a lei e contrariar nossos interesses?
Ainda bem que a tarde estava chuvosa e saímos logo da praça....
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