terça-feira, 6 de setembro de 2011

Legitimidades Rivais

A propósito do mais recente confronto entre o Exército e moradores do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro, ouvi uma interessante declaração de alguém que, pela voz, parecia ser um adolescente.
Segundo ele, o exército seria um rival da comunidade.
Essa definição faz lembrar os conflitos entre as quadrilhas que dominavam (ou dominam) os diferentes territórios do Rio de Janeiro, umas rivais das outras. E, mais importante, mostra o quanto o Estado Brasileiro é estranho aos habitantes de seu território, principalmente das áreas em que ele só entra como força de repressão e ocupação. Tão estranho que é visto como uma força rival de quem é tido como legítimo "dono" do espaço, ou seja, do grupo de traficantes que antes ocupava (ou ainda ocupa) aquele território.
Em que pese o fato de que os enfrentamentos e protestos possam apresentar um forte componente de manipulação e instigação por parte dos antigos donos, não deixa de ser o retrato de um Estado cuja legitimidade não é reconhecida, sendo facilmente identificado como somente mais um grupo que se impõe pela violência.
Aliás, que Estado é esse que precisa impor uma força de pacificação dentro de suas próprias fronteiras?

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