Estive em São Paulo três dias semana passada. Ia pela manhã e voltava à tarde. Nem vou reclamar dos congestionamentos e do gasto absurdo de combustível e tempo provocados pela insanidade de uma sociedade elitista e individualista que se reflete na organização de seu trânsito
Só vou registrar que acho um verdadeiro milagre que não exista um massacre diário nas nossas estradas e ruas, causado pelo desrespeito sistemático das regras mínimas de segurança, para não dizer das de trânsito.
Norbert Elias diz que o trânsito é um dos melhores retratos de uma sociedade. Se visse nossas estradas teria o retrato de uma sociedade hierarquizada, fragmentada, que não respeita as próprias regras de convivência. Os grandes carros de luxo são o retrato da arrogância das nossas elites, abrindo espaço à força entre os carros da plebe. A plebe, por seu turno, desrespeita as leis cuja legitimidade não reconhece, muitas vezes sob o pretexto das necessidades do trabalho.
Parece que, como não conseguimos conviver em sociedade, iremos nos matar com nossas armas movidas a gasolina ou etanol, ou flex. Tudo isso sob o olhar eletrônico ou físico das autoridades de trânsito que se importam tanto com as vítimas do trânsito quanto se importam com as que morrem em deslizamentos.
Enfim, povo, elite e poder público, num holocausto a três mãos.
Curiosidade:
Em 2008, no EUA, foram registradas 12,5 mortes no trânsito para cada 100.000 habitantes. No Brasil, foram registradas 30,1, para uma frota três vezes menor. Se considerarmos esse quesito de produtividade, o Brasil já deixou o Primeiro Mundo para trás, o que não é de se espantar, afinal, somos grandes pilotos.
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