Donald,
nosso personagem preferido, já mostrou as credenciais para as
instituições americanas em seu discurso de abertura. Vejam o que
disse nosso querido:
A
cerimônia de hoje, no entanto, tem um significado muito especial
porque hoje não estamos apenas transmitindo o poder de uma
administração a outra ou de um partido ao outro, mas estamos
transferindo o poder de Washington, D.C., e o devolvendo a vocês, o
povo.
O
que realmente importa não é qual partido controla nosso governo,
mas se nosso governo é controlado pelo povo.
O
ditador e o populista sempre falam em nome do povo e não das
instituições e partidos. Por uma razão muito simples: o povo não
ter rosto, não tem opinião. Ou, o que dá no mesmo, tem muitos
rostos, tem muitas opiniões. Nessas condições, o líder
autoritário é o rosto do povo, é seu porta-voz. Assim, pode falar
o que quiser e dizer que fala em nome do povo.
Partidos
e instituições, pelo contrário, têm opiniões identificáveis,
têm rostos conhecidos, têm comportamentos controláveis. Não se
pode dizer que, por exemplo, o Partido Democrata tenha opiniões
restritivas quanto à imigração. Da mesma forma, não se pode dizer
que o Obama defenda tais restrições. O mesmo se diga da Suprema
Corte. Mas, o líder pode dizer que o “povo” não quer
imigrantes. Quem vai dizer que não? A imprensa? Ora, o povo sabe que
a imprensa mente para defender os políticos tradicionais.
Agora,
imaginem quando, por exemplo, a Suprema Corte, considere alguma
medida do nosso Donald inconstitucional. São juízes que não foram
eleitos pelo “povo”. Será que eles podem contrariar um
governante eleito? Afinal, todo poder emana do povo. Mas o líder
terá agido contra a lei. Ora, a lei também emana do povo!!
Imaginem
se a coisa fique tão feia que o Congresso instaure um processo de
impedimento. Como é que eles ousam voltar-se contra o representante
máximo do povo? Sua voz diretamente eleita?
E
por aí vai, num prognóstico de confronto entre poderes que pode
abalar todas as instituições americanas, instituições que têm
sido a principal inspiração das democracias ocidentais.
É
por isso que o líder autoritário fala em nome do “povo”. Porque
o que o “povo” quer só ele sabe e só ele representa. Os que a
ele se opõem, estão contra o “povo”.
Será
interessante acompanhar como a democracia americana lidará com um
líder autoritário e populista nos moldes que infelicita a América
Latina há séculos.
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