quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Começando antes da hora

O fim do mundo como conhecemos começa amanhã, com a posse do nosso querido Donald. Por falar nisso, vocês já notaram como ele tem a personalidade e a imagem parecida com o homônimo criado por Walt Disney?
Mas, a velocidade com que o mundo acaba no Brasil é impressionante. Nem começamos o nosso diário e bandos correm soltos dentro de um, dito, presídio, ameaçando uns aos outros de morte por métodos tão medievais quanto as condições em que tentam sobreviver.
A falta de condições da polícia de, primeiro, controlar aquele território, que hoje pode ser denominado “terra de ninguém”, e, segundo, retomá-lo, é a mostra da falência do Estado brasileiro. Se homens armados podem dominar um território, dentro ou fora dos presídios (como diz o eufemismo para o PCC), e nele fazer o que lhes dê na telha (também usada como arma), e o Estado não consegue impedir, isso é prova cabal de que o Estado brasileiro já não possui o monopólio do uso da força.
Desse ponto de vista, acho oportuna a chamada do Exército. Mas não apenas para revistar celas a procura de armas e celulares que não deveriam estar lá. Acho que é hora de reconhecermos que vivemos em uma guerra civil e tomarmos as providências necessárias para que o Estado passe a ter o monopólio do uso da força no território nacional, o que é uma definição mínima de Estado afinal.
Antes que me apedrejem, não estou apoiando as teses de volta dos militares ao governo. É só uma questão de quem domina um território e nele impõe a lei sob ameça do uso da força. 
O Estado exerce esse domínio por meios legítimos, aplicando leis votadas por parlamentos legítimos (tá bom, estamos falando em teoria, sem levar em conta parlamentares que tomam posse na cadeia ou para lá vão depois de empossados). Os bandos armados dominam territórios e ali aplicam suas leis por meio violentos ilegítimos. 
Nesses territórios há uma exclusão da legitimidade do Estado, é como se fosse um outro país. São esses territórios que precisam ser retomados, se preciso, a força.
Parece que as polícias não conseguem. Não sei se o Exército vai conseguir.


P.S.: E ainda me morre o Teori. O Brasil é um caso de feitiço.

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