Thomas Carlyle (1795/1881), na sua História da Revolução Francesa, escrita quase como um romance, fala sobre a morte de Mirabeau, o aristocrata eleito pelo povo para os Estados Gerais de 1789, e que tentava encontrar uma forma de salvar a monarquia da extinção. Mais que história, trata da vida.
Mas Mirabeau não podia viver outro ano, da mesma forma que
não podia viver mil anos. Os anos dos homens são numerados e a conta dos de
Mirabeau estava agora completa. importante ou não importante: que seja
mencionado na História Universal durante alguns séculos, ou que não seja ali
mencionado mais do que um dia ou dois, isso pouco importa ao destino
peremptório. No meio dos esforços duma vida de intensa atividade, o pálido
mensageiro silentemente faz sinal: interesses em larga extensão, projetos,
salvação de monarquias francesas, seja o que for que tiveres em mão, terás
repentinamente de abandonar e ir. Quer estejas a salvar monarquias francesas;
quer estejas a engraxar sapatos na Pont Neuf! Nem o mais importante dos homens
pode ficar: mesmo que a História do Mundo dependa dele por uma hora, essa hora
não é concedida. Do que se conclui que estes mesmos "teriam sido" são as mais das vezes uma vaidade; e que a História do
Mundo nunca podia, de maneira nenhuma, ter sido o que ela podia ou devia ser,
por qualquer espécie de potencialidade, mas simples e absolutamente o que é.
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