quinta-feira, 12 de março de 2015

Carta aos Meus Amigos Petistas

Caríssimos,

no momento em que retorno à praça, momento grave para o Brasil, preciso começar falando com vocês, em respeito às suas histórias, militâncias e convicções.
Continuamos amigos, apesar de divergirmos em algumas coisas. Mas, aprendemos em Minas, que política não se faz com o fígado e a melhor coisa para se fazer com amigos é discutir política.
Vocês sabem que eu nunca fui petista, pelo contrário, sempre me considerei um liberal na política, talvez nossa maior divergência. Não obstante, como vocês sabem, sempre fui profundamente indignado com nossas condições de injustiça social, econômica e política que se perpetuam na história.
Pois bem, esse perfil me levou a votar com vocês (tenho até uma estrelinha de lapela, lembram dela?) nas três primeiras eleições que o PT ganhou. 
Acho que se eu expuser o que o PT representava para mim em cada uma delas, vocês compreenderão o que quero dizer:


I – no primeiro Lula:
1 – Ética e uma nova forma de fazer política
2 – Distribuição de Renda/Justiça Social
3 – Desenvolvimento Econômico e Crescimento

II – no segundo Lula:
1 - Distribuição de Renda/Justiça Social
2 – Desenvolvimento Econômico e Crescimento

III – na primeira Dilma:
1 - Distribuição de Renda/Justiça Social

Na segunda Dilma não consegui mais. E não porque as alternativas me agradassem. Mas porque um segundo mandato Dilma não representaria mais nada para mim.
Com efeito, perdida a bandeira da ética (“todo mundo faz assim”) e comprometidas as bases para o crescimento e o desenvolvimento por incompetência ou populismo, a distribuição de renda e a justiça social não tem mais bases de sustentação.
Como podem ver, à medida que foram se sucedendo os governos petistas, fui me afastando cada vez mais. Acho que não fui eu quem mudou.
Hoje, no deserto político em que estamos, confesso que gostaria de votar novamente no PT.
Mas num PT que denunciava os 300 picaretas do Congresso e não o PT que se juntou a eles para mergulhar no balcão de negócios feitos com dinheiro roubado ao Estado brasileiro.
Num PT que denunciou a compra de votos para a aprovação da reeleição de FHC, não num PT que usou dinheiro de caixa-dois e vindo de propinas nas estatais para financiar suas campanhas.
Num PT que combatia Sarney e que ajudou a derrubar Collor e não no PT que se aliou a eles e ao que há de mais atrasado na sociedade brasileira para governar.
Num PT que tinha na renda mínima defendida pelo Senador Suplicy uma conquista de cidadania e não no PT que usa o Bolsa Família como uma arma para manter reféns os que a recebem.
Num PT que prometeu colocar a Polícia Federal no caso Toninho caso chegasse à presidência e não num PT que nem sequer recebe a viúva que pede justiça sozinha na praça.
Enfim, um partido de outros tempos, um partido com propostas e experiências tão boas que me fizeram apoiá-lo.
Vou, então, continuar discutindo e participando nos limites das minhas possibilidades, esperando que apareça uma alternativa que faça meu coração bater tão feliz quanto num dia de sol em que um antigo político (hoje desaparecido), um ex-operário barbudo e meio sem jeito, tomou posse na presidência da República.

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