Caríssimos,
no
momento em que retorno à praça, momento grave para o Brasil,
preciso começar falando com vocês, em respeito às suas histórias,
militâncias e convicções.
Continuamos
amigos, apesar de divergirmos em algumas coisas. Mas, aprendemos em
Minas, que política não se faz com o fígado e a melhor coisa para
se fazer com amigos é discutir política.
Vocês
sabem que eu nunca fui petista, pelo contrário, sempre me considerei
um liberal na política, talvez nossa maior divergência. Não
obstante, como vocês sabem, sempre fui profundamente indignado com
nossas condições de injustiça social, econômica e política que
se perpetuam na história.
Pois
bem, esse perfil me levou a votar com vocês (tenho até uma
estrelinha de lapela, lembram dela?) nas três primeiras eleições
que o PT ganhou.
Acho que se eu expuser o que o PT representava para
mim em cada uma delas, vocês compreenderão o que quero dizer:
I
– no primeiro Lula:
1
– Ética e uma nova forma de fazer política
2
– Distribuição de Renda/Justiça Social
3
– Desenvolvimento Econômico e Crescimento
II
– no segundo Lula:
1
- Distribuição de Renda/Justiça Social
2
– Desenvolvimento Econômico e Crescimento
III
– na primeira Dilma:
1
- Distribuição de Renda/Justiça Social
Na
segunda Dilma não consegui mais. E não porque as alternativas me
agradassem. Mas porque um segundo mandato Dilma não representaria
mais nada para mim.
Com
efeito, perdida a bandeira da ética (“todo mundo faz assim”) e
comprometidas as bases para o crescimento e o desenvolvimento por
incompetência ou populismo, a distribuição de renda e a justiça
social não tem mais bases de sustentação.
Como
podem ver, à medida que foram se sucedendo os governos petistas, fui
me afastando cada vez mais. Acho que não fui eu quem mudou.
Hoje,
no deserto político em que estamos, confesso que gostaria de votar
novamente no PT.
Mas
num PT que denunciava os 300 picaretas do Congresso e não o PT que
se juntou a eles para mergulhar no balcão de negócios feitos com
dinheiro roubado ao Estado brasileiro.
Num
PT que denunciou a compra de votos para a aprovação da reeleição
de FHC, não num PT que usou dinheiro de caixa-dois e vindo de
propinas nas estatais para financiar suas campanhas.
Num
PT que combatia Sarney e que ajudou a derrubar Collor e não no PT
que se aliou a eles e ao que há de mais atrasado na sociedade
brasileira para governar.
Num
PT que tinha na renda mínima defendida pelo Senador Suplicy uma
conquista de cidadania e não no PT que usa o Bolsa Família como uma
arma para manter reféns os que a recebem.
Num
PT que prometeu colocar a Polícia Federal no caso Toninho caso
chegasse à presidência e não num PT que nem sequer recebe a viúva
que pede justiça sozinha na praça.
Enfim,
um partido de outros tempos, um partido com propostas e experiências
tão boas que me fizeram apoiá-lo.
Vou,
então, continuar discutindo e participando nos limites das minhas
possibilidades, esperando que apareça uma alternativa que faça meu
coração bater tão feliz quanto num dia de sol em que um antigo
político (hoje desaparecido), um ex-operário barbudo e meio sem
jeito, tomou posse na presidência da República.
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