terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Reabertura da Piazza

Depois do carnaval e de muito pensar se valeria a pena continuar a escrever aqui e, ainda mais, escrever tendo por “gurus” autores tão antigos, resolvi reabrir a piazza ao nosso convívio. Abaixo algumas conversas que me convenceram:
Voltaire, falando em 1734:
Ensina-se honestidade aos homens, senão poucos chegariam a tê-la. Deixai vosso filho, desde a infância agarrar tudo que lhe caia nas mãos: aos quinze anos roubará pelas estradas; Louvai-o por ter mentido: tornar-se-á uma testemunha falsa. Vangloriai-o por sua concupiscência: certamente será um debochado.” (Voltaire, Cartas Inglesas, XXV Carta; 1734. Editora Abril, Os Pensadores).
De Thomas Paine, escrevendo em 1776:
Os que se consideram nascidos para reinar e julgam os outros nascidos para obedecer não tardam a tornar-se insolentes. Separados do resto da humanidade, a importância cedo lhes envenena o espírito; e o mundo em que agem difere tão materialmente do mundo em geral que pouca oportunidade têm de saber quais são os verdadeiros interesses deste e, quando sucedem no governo, são a maioria das vezes os mais ignorantes e inadequados em todos os domínios.” (Thomas Paine, Senso Comum, 1776. Editora Abril, Os Pensadores).
E, ainda, meu querido Maquiavel:
Há um meio infalível para conhecermos um ministro. Se virmos que ele pensa mais em si do que em só e que em todas as ações anda em busca do seu próprio interesse, poderemos estar certos de que ele é mau ministro e devemos olhá-lo com desconfiança. Quem gere os negócios de um príncipe nunca deve pensar em si mesmo, mas nele, nem lembrar-lhe outras coisas que não sejam as pertencentes ao Estado.”(Nicolau Maquiavel, O Príncipe, 1512, Jardim dos Livros)
Ouvindo essas coisas ao caminhar pela piazza, percebi que nossos amigos têm muito a compartilhar conosco: as raízes de parte de nossa delinquência, a forma de pensar de nossa aristocracia ou as qualidades de um ministro. Assuntos extremamente atuais.
E o mais interessante: falam desde um tempo em que as coisas eram nominadas sem os disfarces de linguagem criados ao longo do tempo. Usam palavras como roubo, mentira, deboche sem disfarçá-las como desvios de conduta ou de comportamento adolescente. Tratam de aristocracia, tirania e nobreza categorias que talvez tratássemos de representantes eleitos, Poder Executivo, poder econômico. De insolência ao invés de prerrogativas do cargo. Interesse sem enfeitar como governabilidade.
Tudo fica mais claro assim.
Por essas e por outras é que resolvi voltar à nossa piazza.
Espero também que os visitantes, caso venham, encontrem algum banco e compartilhem com nossos amigos suas impressões sobre o mundo em que vivemos ou sobre o que eles e outros viveram.

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