Para que não fique parecendo que só falamos sobre coisas antigas aqui na piazza, queria compartilhar uma impressão que fiquei acompanhando esse minueto dançado pelo PT-Lula e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
A esdrúxula aliança entre o PT e o ex-malufista foi morta no ninho pela aparente decisão de José Serra se lançar candidato com o apoio de Kassab, que já havia declarado seu apoio ao tucano caso este fosse candidato. Parece que o grão-tucano José Serra, admitindo a candidatura para evitar a aliança, mordeu a isca e foi pego numa armadilha.
Se for realmente candidato, com o apoio de Kassab e passando por cima das prévias partidárias, aparentemente Serra é favorito na disputa contra o candidato de Lula-PT.
No entanto, mesmo se vencer, provavelmente estará dando adeus ao seus sonhos presidenciais, uma vez que o PSDB considerará o cargo de prefeito da maior cidade do país como um belo prêmio de consolação e uma aposentadoria digna para seu tão incômodo partidário. Além do mais, como carregar um candidato que irá rasgar pela segunda vez seu compromisso com São Paulo? Como isso, o caminho estará definitivamente aberto para a candidatura do “príncipe herdeiro” mineiro.
Se for derrotado, Serra será carimbado definitivamente como candidato inviável e irá encerrar (mais uma vez) sua carreira política e, ainda por cima, permitirá o estabelecimento do ponto de apoio para que o PT-Lula se lance ao governo do Estado, ameaçando os tucanos de extinção.
Mas os problemas de Serra continuam mesmo se não for candidato.
Caso o PSDB seja derrotado na figura de um de seus candidatos novatos, boa parte da conta será debitada a Serra, pela sua intransigência e idéia fixa com o Planalto em detrimento do partido, algo que acabará por comprometer o apoio interno às suas pretensão presidenciais. E ainda verá o polivalente PSD se entregar aos abraços de Lula-PT. Enlace que, diga-se de passagem, ambos estão doidinhos para que aconteça. Dificilmente se recuperará a ponto de se viabilizar como (eterno) candidato à presidência.
E se o PSDB, sem Serra, vencer? Aí então é que a aposentadoria política virá, inevitável e melancolicamente, sem prêmios de consolação.
Portanto, a arapuca caiu sobre um dos maiores tucanos da floresta. Resta saber quem jogou a iscassab (desculpem, não resisti ao trocadilho). Aécio em um movimento típico das raposas mineiras? O PT-Lula para afastar um adversário indigesto? O próprio PSDB, para afastar um correligionário indigesto? Serra é que não foi. Ele queria se empoleirar em outras árvores.