domingo, 9 de outubro de 2011

Nobreza Hereditária

Duas notícias me chamaram a atenção na semana que passou.
A primeira dando conta de que Anthony Garotinho (PR) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) resolveram unir suas forças para derrotar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Nada que seja surpreendente, ainda que se considere que os dois sempre foram rivas ferrenhos na política carioca. O interessante aqui é que a aliança será selada com a candidatura dos filhos dos Senhores à Prefeitura: o deputado federal Rodrigo Maia, como candidato a prefeito e tendo a deputada estadual Clarissa Garotinho como vice. Se o acordo incluir o casamento dos candidatos teremos dado mais um passo rumo às formas medievais de fazer política.
A segunda foi o assédio (eleitoral/eleitoreiro) sofrido por Everson Silva, 26, mais conhecido como Tirulipa, por parte de três dos mais respeitáves partidos do país, PSB, PRB e PR, para que se candidate a vereador em Fortaleza-CE. Everson tem sido cobiçado por suas idéias avançadas sobre cultura e por seu material genético, cuja metade provém de seu pai, o ícone do Parlamento: Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca.
O que une as duas notícias é representarem mais etapa do caminho da casta política brasileira rumo à nobreza tipo Antigo Regime. Filhos ocupam o lugar dos pais que ocuparam o lugar dos seus queridos avós, sem qualquer outra indicação que não seja serem da família. Honras e privilégios  transmitidos hereditariamente, num arremedo de democracia.
Os donos do poder portam-se como nobres controlando fóruns diferenciados, oportunidades, nepotismo, inimputabilidade, etc, etc.... Eternizam-se por meio das urnas, da justiça, da cumplicidade dos seus pares e, agora, da hereditariedade.

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