Ao longo da história, o surgimento de novos setores econômicos provocou mudanças políticas de longo alcance.
O aumento do comércio minou a ordem medieval, assim como o predomínio do capital industrial lançou as bases para a moderna sociedade democrática de massas.
Essa relação entre economia e política provoca reflexões quando se conhece os seguintes números atuais:
a) Economia Informal no Brasil – R$ 578 bilhões ao ano, 18,4% do PIB, equivalente ao PIB da Argentina. Nos países mais desenvolvidos, chega a 10%. Fonte: FGV e OCDE;
b) O crime gera cerca de US$ 2,1 Trilhões, ou 3,6 do PIB mundial, equivalente a uma das 20 maiores economias do mundo – Fonte: ONU;
c) Corrupção mundial envolve US$ 1 Trilhão, 1,6 % do PIB mundial – Fonte: Banco Mundial;
d) Faturamento no Tráfico de Drogas: US$ 320 bilhões no mundo, com estimativas de margem de lucro de 80%.
Interessante notar como a economia criminosa vem se infiltrando na economia lícita, a ponto de ser difícil hoje distinguir uma da outra. É criminoso quem compra uma mercadoria nos chamados circuitos informais? Ou é uma opção econômica racional comprar mercadorias mais baratas? O cálculo deve levar em conta o trabalho escravo, o contrabando ou a corrupção envolvidos na produção e circulação? Ou não?
O dinheiro do crime serve para irrigar os circuitos da corrupção política assim como dos grandes mercados financeiros globalizados perfeitamente legais e cuja influência sobre os Estados nacionais são esmagadoras, serve como exemplo o que ocorre hoje na Grécia e em outros países europeus subjugados às notas de risco das agências financeiras globais.
O crime hoje é uma questão econômica e política, não moral. Nesse novo mundo, esperar que um traficante deixe de vender drogas ou pessoas, ou que um político não se corrompa no serviço a interesses privados, somente com base em apelos à consciência social de cada um, parece tão utópico quanto o medieval Dom Quixote investindo contra os moinhos de vendo do comércio.
Uma nova forma de atividade econômica ganha peso e predominância e, com isso, o acesso às chaves que abrem as portas do Poder.